quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Biopirataria no Brasil: ataque a nossa biodiversidade

Atenção alunos do 3° ano!!!! Leiam o artigo e completem a ficha de leitura em seguida.

Possuidoras da maior biodiversidade do planeta, as florestas tropicais despertam interesses internacionais, não somente pela preocupação com o meio ambiente como também pelas potencialidades econômicas de seus recursos naturais. Nesse quadro, o Brasil ganha destaque especial, principalmente por abrigar a maior parte da floresta amazônica. O número inigualável de espécies de plantas, peixes, anfíbios, pássaros, primatas e insetos faz com que nosso país seja alvo da biopirataria, termo usado para caracterizar o desvio ilegal das riquezas naturais (flora e fauna) e do conhecimento das populações tradicionais sobre a utilização desses recursos. É, na verdade, a apropriação e monopolização de conhecimentos mais tarde patenteados em âmbito internacional, sem que as comunidades locais tenham direito à participação financeira nessa exploração.

Brasil, fonte de riqueza para a biopirataria
O Brasil, país de dimensões continentais, com 3,57 milhões de quilômetros quadrados de florestas tropicais, é a nação mais rica do mundo em biodiversidade: são encontrados aqui de 10% a 20% do 1,7 milhão de espécies catalogadas e estudadas pela ciência. Da floresta tropical úmida à Mata Atlântica, do cerrado à caatinga, do Pantanal à Mata de Araucária, das regiões de mangue e praias às zonas costeiras, bacias e aos estuários, o Brasil tem uma espetacular variedade de organismos que representam um imenso e formidável laboratório a céu aberto. É evidente que esse patrimônio, pelo seu valor econômico e científico e por suas características únicas de biodiversidade, tem provocado interesses — alguns genuinamente científicos, outros puramente comerciais.
Em razão dessa riqueza, nosso país e outras nações privilegiadas em biodiversidade tornaram-se alvo da ação da biopirataria, praticada principalmente por conglomerados transnacionais e instituições científicas dos países desenvolvidos, sendo os Estados Unidos considerados o maior consumidor de vida silvestre do mundo.

Floresta amazônica, ecossistema ameaçado
A Amazônia abriga o maior complexo hídrico-fluvial da Terra, com cerca de 7 milhões de km², sendo uma região de dimensões continentais. A hiléia brasileira, com cerca de 3,3 milhões de km², sobrepõe-se, em grande parte, à área da bacia hidrográfica do Rio Amazonas, caracterizando-se por abrigar grande riqueza biológica, com enorme diversidade de flora e fauna. A região compreende cerca de 1/3 das florestas tropicais do globo. Somada à nossa reserva hídrica, é um verdadeiro tesouro, em grande parte ainda inexplorada. Somente 5% da flora mundial foi estudada até agora. Dispostas a explorar esse filão, algumas empresas chegaram a estabelecer parcerias e convênios com grupos indígenas para ter acesso a seus conhecimentos seculares sobre os segredos da floresta. Instituições públicas também investem em pesquisas.
Com essa imensa biodiversidade, a Amazônia é um chamariz à biopirataria. No entanto, não se trata de fenômeno recente. A história da biopirataria na Amazônia é secular. Começou com os portugueses, em 1500, quando roubaram dos povos indígenas da região o segredo de como extrair um pigmento vermelho do pau-brasil. Hoje, a flora e a fauna do Brasil continuam desaparecendo e a madeira que deu seu nome ao país está sendo preservada apenas em alguns jardins botânicos. Provavelmente o caso mais infame seja o do inglês Henry Wickham, que, em 1876, levou sementes da árvore da seringueira (Hevea brasiliensis) para as colônias britânicas na Malásia. Após algumas décadas, a Malásia tornou-se o principal exportador de látex, arruinando a economia da Amazônia que se baseava principalmente na exploração da borracha.

Prejuízos causados pela biopirataria
Na era da biotecnologia e da engenharia genética, multiplicam- se as oportunidades de registrar marcas e patentes em âmbito internacional. Casos como o do nosso cupuaçu, açaí, copaíba e tantos outros, patenteados e comercializados no mercado mundial, causam impactos negativos tanto para as comunidades tradicionais que querem comercializar seus produtos, quanto para as propostas de políticas públicas pautadas no desenvolvimento sustentável da região Amazônica.

Márcio Balbino Cavalcante é geógrafo pela UEPB; pós-graduado em Ciências Ambientais — FIP/PB; professor do Instituto Superior de Educação de Cajazeiras — ISEC/PB; e pesquisador do Terra — Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB/CNPq.



Ficha de leitura
Áreas de conhecimento exigidas para compreensão do texto:
1____________ 2____________ 3___________ 4___________ 5___________
Conhecimentos prévios (das diversas áreas do conhecimento) que você precisou acessar da memória, necessários durante a leitura:
1__________________________________________________________
2__________________________________________________________
3__________________________________________________________
4__________________________________________________________
Informações que você precisou pesquisar para compreender melhor o texto e interagir com ele durante e/ou após a leitura:
1_________________________________________________________
2_________________________________________________________
3_________________________________________________________
4_________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário